OutroRyanair29 de setembro de 2026

Açores perdem mais de 100 mil passageiros e 70 mil dormidas seis meses após saída da Ryanair

Desde a saída da Ryanair dos Açores, no final de março, a região registou uma quebra de pelo menos 103.766 passageiros e de mais de 70 mil dormidas em alojamentos turísticos. O alojamento local antecipa 2026 como o ano com os "piores resultados de sempre".

Seis meses depois de a Ryanair ter terminado os seus voos para os Açores, a região contabiliza uma queda de cerca de 100 mil passageiros e de mais de 70 mil dormidas desde abril, segundo dados do Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA) divulgados a 28 de setembro de 2026.

Entre abril e agosto, desembarcaram nos aeroportos açorianos 1.206.055 passageiros, menos 103.766 (7,9%) do que no mesmo período de 2025, referem o Observador, o Notícias ao Minuto e o Correio da Manhã. No que respeita às dormidas, os números provisórios de abril a junho e os preliminares de julho apontam para uma redução superior a 70 mil. Entre abril e julho, a hotelaria, o alojamento local e o turismo no espaço rural somaram 1.967.881 dormidas, menos 71.627 do que em igual período em 2025, uma quebra de cerca de 3,5%.

O fim da operação da companhia irlandesa, que voava para os Açores desde 2015, foi anunciado para 29 de março, mas o último voo se realizou no dia 28. A Ryanair justificou a decisão com as taxas aeroportuárias e a tributação ambiental europeia. Desde então, as ligações entre o arquipélago e o Portugal continental estão asseguradas apenas pela TAP e pela Azores Airlines, do grupo SATA, apesar de o verão ter incluído ligações de 16 companhias aéreas — só duas voaram entre as ilhas e o resto do território nacional.

O presidente da Associação de Alojamento Local dos Açores (ALA), João Pinheiro, afirmou à agência Lusa, citado pelo Observador e pelo Correio da Manhã, que o setor encerra o verão "com menos rendimentos e com um recorde de custos", puxados pela inflação, pelos custos de energia e da mão de obra. "Vamos ter o ano com os piores resultados de sempre para as empresas do alojamento local", avisou. Entre abril e julho, o alojamento local perdeu 72.746 dormidas (7,6%) face ao período homólogo, e há já anúncios de imóveis do setor à venda, segundo o mesmo responsável.

Um estudo da EY-Parthenon, encomendado pela Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD), estimou que a saída da Ryanair possa traduzir-se numa perda anual entre 339 mil e 391 mil dormidas, o que poderia reduzir o PIB regional em 1,5% a 1,7% em 2026, equivalente a entre 90,1 milhões e 104,5 milhões de euros por ano. O turismo representa cerca de 20% do PIB dos Açores. A criação do Fundo de Desenvolvimento de Rotas Aéreas foi aprovada em maio pelo parlamento açoriano.

Porque importa

A saída da companhia de baixo custo reduziu a oferta aérea para um território insular dependente do transporte aéreo e cujo setor turístico pesa cerca de 20% da economia regional. Com apenas duas companhias a ligar as ilhas ao continente, os empresários alertam para pressões crescentes sobre custos, preços e emprego no primeiro inverno sem voos da Ryanair. O impacto será também sentido no planeamento de investimentos e de contratações por parte das pequenas empresas açorianas.

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