ExpansãoVisa26 de setembro de 2026

Alstom aponta para concorrência na América Latina e procura "projetos ambiciosos" no Brasil

O CEO da Alstom, Martin Sion, afirmou que a concorrência na América Latina é "muito forte", mas funciona como incentivo desde que exista um "campo de jogo equilibrado". A multinacional francesa, que mantém uma fábrica em Taubaté, espera que o Brasil anuncie novos projetos que utilizem a capacidade local de produção já construída.

O CEO da Alstom, Martin Sion, apontou esta segunda-feira, dia 21, para uma concorrência "muito forte" na América Latina no setor de equipamentos ferroviários, durante uma entrevista coletiva realizada em Hennigsdorf, na Alemanha, onde se localiza uma das fábricas da empresa. Sion, à frente da companhia desde abril, sublinhou que a competição é um bom incentivo para progredir, desde que ocorra num "campo de jogo equilibrado entre todos os atores".

O executivo afirmou que a Alstom investiu muito nos últimos anos no Brasil, para desenvolver uma capacidade local de produção, e que a empresa aguarda projetos "ambiciosos" no país para colocar esse potencial em uso. "Estamos lá [no Brasil] há muito tempo à espera de projetos ambiciosos para os podermos executar localmente com as capacidades e competências que construímos no país", disse.

Um dos exemplos práticos dessa competição é a licitação para a fornecida de dez comboios do metropolitano de Salvador, disputada com a chinesa CRRC. O primeiro concurso foi cancelado após um processo judicial envolvendo regras de conteúdo local, depois de a Alstom ter questionado o resultado porque a CRRC não comprovou credenciamento junto ao Finame, linha de crédito do BNDES que exige uma percentagem de conteúdo local na produção. Num novo edital, a Alstom apresentou um preço inferior ao da concorrente, que subiu a sua proposta em 30% — 632,7 milhões de reais contra 636,75 milhões de reais —, mas o resultado final ainda depende de outras etapas junto ao governo baiano.

Entre os atuais contratos no Brasil, destaca-se o fornecimento dos comboios da Linha 6-Laranja, em São Paulo, e um acordo com a concessionária das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, que prevê a implementação do primeiro sistema de sinalização ETCS Nível 2 na América Latina, com um investimento de mil milhões de reais. A fábrica de Taubaté permitiu ainda à empresa fechar contratos de exportação para outros países da região, entre os quais um para o metropolitano de Santiago, no Chile, que abrange a entrega de 37 comboios.

Sion participa na Alemanha na Innotrans, principal feira internacional de tecnologia de transporte, que decorre em Berlim de terça-feira, dia 22, a sexta-feira, dia 25. Em Hennigsdorf, a Alstom apresentou também o seu primeiro comboio com direção remota, que foi conduzido a 20 quilómetros de distância, e defende que o setor ferroviário entra numa "quarta revolução", agora assente em inteligência artificial, área na qual a empresa investiu cerca de mil milhões de euros nos últimos três anos. Segundo a empresa, a Alstom tem 88 mil colaboradores em operações sediadas em mais de 60 países e completou 70 anos de atividade no Brasil em novembro do ano passado.

Nota: a jornalista viajou à Alemanha a convite da Alstom.

Porque importa

As palavras de Sion chegam num momento em que a Alstom aguarda decisões de licitações relevantes no Brasil, nomeadamente em Salvador, e em que a presença das indústrias chinesas na América do Sul se mantém forte. A defesa de um "campo de jogo equilibrado" refere-se diretamente a regras de conteúdo local e a critérios de acesso a crédito, que têm determinado o desfecho de concorrências no setor. Para o mercado de trabalho ferroviário no país, a confirmação de novos projetos significaria a utilização da capacidade instalada e da mão de obra já formada nas plantas nacionais.

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