Airbus e Dassault disputam contrato português de substituição dos F-16
A Airbus submeterá uma proposta não solicitada para o Eurofighter Typhoon até finais de outubro ou início de novembro, enquanto a Dassault assinou um acordo com a AED Cluster Portugal na corrida ao contrato. Portugal procura substituir a sua frota de F-16, com idades compreendidas entre os 31 e os 42 anos.
A Airbus anunciou que submeterá uma proposta não solicitada para o Eurofighter Typhoon até finais de outubro ou início de novembro, no âmbito da aposta portuguesa na substituição da sua frota de caças F-16, segundo o The National Interest. A Dassault Aviation, por sua vez, assinou esta semana um acordo com a AED Cluster Portugal, organização do setor encarregada de estabelecer um ecossistema aeroespacial no país, conforme noticiado pelo Aviation Week e citado pelo mesmo meio.
A Força Aérea Portuguesa opera, segundo o The National Interest, 21 aviões monolugares F-16A e quatro bipostes F-16B de treino, atualizados para o padrão F-16M. Os aparelhos têm entre 31 e 42 anos, o que corresponde aproximadamente à vida útil operacional de um F-16 e sublinha a urgência de uma substituição.
Lisboa anunciou há mais de ano e meio que não avançaria com a compra dos F-35 à Lockheed Martin, invocando preocupações com a imprevisibilidade da política dos Estados Unidos e riscos de acesso restrito a atualizações de software e peças de substituição. A proposta da Airbus inclui "soluções de financiamento público e privado", que poderão abranger participação industrial e partilha tecnológica, e realça que a compra reforçaria os laços de Portugal com Espanha, Itália e Reino Unido, parceiros no programa Typhoon.
Para além da Airbus e da Dassault, a Saab promoveu as capacidades do seu JAS 39 Gripen-E. A AED Cluster Portugal assinou acordos semelhantes também com a Airbus, a Saab e a Lockheed Martin, o que significa que o F-35 não deve ser considerado fora de corrida: diplomatas norte-americanos, liderados pelo embaixador John Arrigo, renovaram neste ano a pressão sobre Lisboa, e em avaliações técnicas internas da Força Aérea Portuguesa o F-35A terá ficado em primeiro lugar em 20 critérios de avaliação.