Geosat leva imagens de satélite a mais de 3 mil ilhas para monitorizar eventos climáticos
# Três fragatas ao fundo do túnel e caças a acelerar Fragatas com 8,3% de incorporação nacional, SAFE sem desembolso e quatro caças na corrida: a Defesa avança, mas a indústria portuguesa continua à espera. Depois de um agosto quente e polé
ECO (economia) — Três fragatas ao fundo do túnel e caças a acelerar
Três fragatas ao fundo do túnel e caças a acelerar
Fragatas com 8,3% de incorporação nacional, SAFE sem desembolso e quatro caças na corrida: a Defesa avança, mas a indústria portuguesa continua à espera.
Depois de um agosto quente e polémico em torno das fragatas, foi preciso chegar a final de setembro para saber detalhes financeiros sobre, afinal, qual seria o impacto “assinalável” para a economia que o Executivo prometia em julho com a compra das novas fragatas para a Marinha Portuguesa. O negócio de 3,9 mil milhões para a aquisição de três FREMM EVO à italiana Fincatieri terá 8,3% de incorporação de indústria nacional — valor que sobe para 10% se excluirmos os sistema de armas —, ou seja, 325 milhões de euros, revelou o ministro da Defesa, Nuno Melo, na audição parlamentar na Comissão de Defesa.
Ficámos ainda a saber quais as empresas nacionais a ser consideradas nessa incorporação e o que o processo em torno do SAFE estava a evoluir. E, no último Conselho de Ministros, o Executivo aprovou o acordo de empréstimo com a Comissão Europeia, um passo necessário para o desembolso das tranches de 15% do total de 5,8 mil milhões de euros que Portugal garantiu no programa de empréstimos europeu.
Da lista de equipamentos que Portugal pretende adquirir para reequipar as Forças Armadas através deste mecanismo, conhece-se apenas acordos para a compra das fragatas, das 75 viaturas táticas para os fuzileiros da Marinha, num investimento total de 133 milhões de euros, e na próxima semana deverá ser assinado outro “executive agreement” no âmbito das munições, revelou Nuno Melo, à margem da cerimónia do 51.º aniversário da Polícia Judiciária Militar (PJM). Teremos de aguardar mais uns dias para saber com que empresa e que fatia do SAFE vai absorver.
Com entregas de equipamentos para 2027 (caso das viaturas) e um prazo máximo de 2030, como definido pelo calendário SAFE, não deixamos de sentir que tudo está a evoluir a um passo mais lento do que o desejável face ao sentido de urgência que se vive na Europa. Para mais que, até agora, nem um único cêntimo chegou à indústria.
Portugal foi dos primeiros países a ver aprovada a sua proposta por Bruxelas, e março chegou a ser apontado por Von der Leyen como a data para entrega do primeiro desembolso, uma tranche de 15%. Prestes a chegar a outubro, não há uma visibilidade de quando o montante será disponibilizado.
Fora das compras SAFE estão os caças. Mas antecipando a nova Lei de Programação Militar (LPM) que deverá ser apresentada, obrigatoriamente, até final do ano, a corrida à substituição dos F-16 da Força Aérea teve esta semana uma nova aceleração. A Dassault Aviation atirou o seu Rafale para a pista de descolagem e revela que, em julho, apresentou uma proposta não solicitada ao Governo português. E o mesmo vai fazer o consórcio Eurofighter até novembro. Pelo meio, acena como 30 NDA fechados com empresas nacionais, para análise da sua potencial incorporação na cadeia de fornecimento do caça europeu.
A chegada da Dassault eleva para quatro o número de candidatos a um negócio que poderá significar um investimento de mais de 5 mil milhões de euros — ou seja, quase um SAFE inteiro para Portugal — e reforça o contingente de fabricantes europeus na corrida: Saab (com os caças Gripen), Eurofighter Typhoon (no qual está a Airbus). Na corrida está ainda a Lockheed Martin, com os F-35.
Formalmente, o processo — que Nuno Melo prometia em julho para breve — ainda não arrancou. Mas o aumento da concorrência a esta operação não deixa de ser salutar. A ver vamos qual o peso que o ‘cartão europeu’ — fora do mecanismo SAFE não há obrigações de comprar made in Europe — poderá ter na hora de decidir que caças vão proteger os céus nacionais e a NATO.
Na segunda-feira, o SAFE é um dos temas da talk que o eRadar está a organizar no ECO Estúdio. Mas há mais: dos drones ao Espaço e como podemos acelerar a entrada de inovação na Defesa. Convido a todos a estarem presentes.
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ECO (economia) — Geosat leva imagens de satélite a mais de 3 mil ilhas para monitorizar eventos climáticos
Geosat leva imagens de satélite a mais de 3 mil ilhas para monitorizar eventos climáticos
A operadora portuguesa de satélites de observação da Terra é a primeira empresa europeia a integrar a SDG Data Alliance, aliança internacional que apoia o cumprimento de objetivos das Nações Unidas.
A Geosat vai levar imagens de satélite de muito alta resolução a mais de 3.000 ilhas de quase 40 Estados insulares, muitos deles particularmente expostos às alterações climáticas, à subida do nível do mar e a fenómenos extremos. A operadora portuguesa de satélites de observação da Terra tornou-se a primeira empresa europeia a integrar a SDG Data Alliance, uma aliança internacional para apoiar cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas e a Agenda de Antigua e Barbuda para os Estados Insulares em Desenvolvimento (SIDS).
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“As imagens de satélite e a informação de observação da Terra são ativos críticos para apoiar as populações na adaptação às alterações climáticas. Com a entrada na SDG Data Alliance, a Geosat irá continuar a trabalhar com os parceiros da Aliança para levar o Espaço às pessoas, onde é mais necessário”, afirma Francisco Vilhena da Cunha, CEO da Geosat, citado em comunicado.
A lógica passa por juntar a capacidade de aquisição de imagens da Geosat ao trabalho de parceiros locais e internacionais que transformam esses dados em informação para apoiar decisões sobre gestão do território e recursos naturais, agricultura, florestas, zonas costeiras e resposta a emergências. Nos casos mais exigentes, a própria empresa nacional poderá assegurar a análise dos dados.
Para a empresa portuguesa, a entrada nesta aliança representa também uma expansão para a área da sustentabilidade, juntando-se à Defesa, segurança e emergências, gestão do território e infraestruturas críticas como mercados estratégicos.
“Esta parceria é estratégica para o crescimento da Geosat: ao integrar a nossa constelação de satélites e as nossas capacidades neste ecossistema de parceiros técnicos, institucionais e financeiros, conseguimos criar as condições para demonstrar aplicações em ambiente operacional, para apoiar o desenvolvimento da cadeia de valor da sustentabilidade, focada nas pessoas”, acrescenta o responsável, na mesma nota de imprensa.
A entrada na aliança, assinalada através de um acordo firmado em Nova Iorque com a PVBLIC Foundation, entidade gestora da Aliança, à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, surge na sequência de projetos já desenvolvidos pela Geosat em Estados insulares. Em 2023, a empresa apoiou o arranque da Organização de Investigação Espacial das Maldivas, participando num projeto-piloto na ilha de Goidhoo.
No Pacífico, estão também em preparação novos projetos, com duas iniciativas já em curso e outras em fase de desenvolvimento, segundo a empresa.
Fundada em 2021 pelo CEiiA, a Geosat é um dos cinco operadores europeus de satélites de muito alta resolução reconhecidos pela Comissão Europeia/Copernicus. Em 2024, em parceria com a Airbus, participou na VHR 24, a primeira cobertura da Europa assegurada integralmente por satélites e empresas europeus.
A empresa fornece ainda imagens para municípios, países e instituições europeias e trabalha com entidades de Defesa e proteção civil, além de participar na Carta Internacional sobre Espaço e Grandes Catástrofes.
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